Ao Pé do Ouvido
  


Um amigo de uma amiga resolveu usar o meu computador sorrateiramente, enquanto eu não estava por perto .  Como ele não tem uma máquina pessoal, deve ter me elegido pra ser a sua parceira evolutiva na era digital. À revelia, naturalmente.
Quem não faz uso desse instrumento sequer suspeita da importância que ele adquiriu nas nossas vidas, nos últimos tempos.

Não bastasse a folga do moço, andei recebendo inúmeros presentinhos de origem grega. Fora os cavalos-de-tróia, meu computador também foi invadido por vírus e spywares – falanges e mais falanges de espiões vuduzando a minha intimidade.

Acontece que mexer no meu PC hoje é como vasculhar meu quarto há sete anos atrás.
Nessa época,  ninguém da minha casa entrava no meu recanto particular sem bater e formular a saudosa pergunta “posso entrar”? Lá eu tinha privacidade, de fato. Nenhum hacker invadia, até porque eu não tenho irmãos menores. Vírus, só entrava um e uma vez por ano; mas logo era expulso pela única versão anti-gripal eficiente:  mel, limão, alho e chamego.
Meu quarto tinha um processador um pouco preguiçoso, é verdade,  mas a memória era gigantesca. Nela cabiam todos os meus power points de sonhos, ilusões  e planos para a vida. Cabiam também infinitos words de bilhetes, cartas, diários, poemas, desabafos e lembranças. Cabiam todas as midis e mp3 que embalaram a maior parte das minha experiências até então. Cabiam jpgs de todos os tamanhos e cores e de momentos inesquecíveis. Só não cabia desrespeito à intimidade alheia.
Como não me cabe até hoje.

Mas, dizem, vai ficar pior. Na mesma proporção em que ficamos dependentes dos equipamentos de informática, mais somos espionados, monitorados, invadidos. Seja no computador ou no celular; seja pelas câmeras fotográficas instaladas em qualquer lugar; seja pelos programas de fidelização das empresas. Num outro sentido, mas reforçando e popularizando a banalização da intimidade, está a TV – que continua reproduzindo quilos de reality shows.

E a julgar pela velocidade com que as coisas estão “evoluindo”, em pouquíssimos anos privacidade será apenas mais uma coisa do passado. A ser lembrada por velhinhos saudosistas,  sob o olhar debochado de seus netinhos tamagoshis.



 Escrito por Claudia às 13h08
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Antes Que Eu Me Esqueça

Eu tenho uma péssima memória (tanto a recente quanto a pregressa), o que seguidamente me causa constrangimento.
Por exemplo, quando sou apresentada a alguém raramente guardo as informações iniciais e, então, como gosto de conversar chamando as pessoas pelo nome, lá vou eu com o "desculpe, mas como é mesmo que você se chama?" E não são poucas as vezes em que esqueço de novo o nome da criatura. Talvez não seja falta de memória e sim de atenção - o que não minimiza em nada a indelicadeza.
Lembrar nomes de filmes e livros, então, só por milagre. Quando vou comentar sobre um desses assuntos, parece o jogo da adivinhação: "como é mesmo o nome daquele filme em que aquele ator, casado com aquela modelo, trabalhava para aquele serviço secreto russo?"

Minha memória visual é um pouquinho melhor, desde que não mudem as coisas de lugar ou que não pintem o cabelo. Aliás, adoro assistir à entrega do Oscar, pois fico conhecendo uma porção de celebridades diferentes!! É só a Nicole Kidman pintar o cabelo de preto que penso que ela deu bolo e não foi à festa.
E o agravante é que tenho miopia e astigmatismo e não gosto de usar óculos. À noite, quando vou a algum evento, e com a luz artificial, não reconheço ninguém que esteja há mais de três palmos de mim. Como cansei de passar por antipática, adotei uma estratégia: na dúvida, cumprimento todo mundo; indiscrimidamente. Uns me acham simpatissíssima. Outros, acham que eu sou boba. Lógico que eu prefiro ser boba a antipática.
Opa, acho que mudei de assunto.

Voltando à memória, a neurociência diz que nem sempre nossas lembranças são confiáveis. Daniel Schacter, um estudioso do tema, afirma que nós adaptamos nossa memória para que ela justifique decisões inconscientes que tomamos. Ele diz ainda, em outras palavras, que mesmo quando nossas lembranças são vívidas e arrebatadoras, não temos garantia alguma de que elas sejam verdadeiras.
AHÁ!!!! Sabia!!! Não sou eu que tenho memória fraca e sim os outros que viajam na maionese! Tal qual a minha irmã quarentona que diz que lembra da roupa da minha tia Ivone no aniversário de dois anos dela. Pode?
Resumindo, não bastasse duvidarmos da nossa própria sombra, agora temos que duvidar até das nossas mais profundas lembranças. Ou seja, continuamos sendo ilustres desconhecidos de nós mesmos.



 Escrito por Claudia às 20h09
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O Dia do Amigo passou e eu acabei perdendo o bonde. Aliás, a julgar pela quantidade de mensagens que recebi, não duvido se em pouco tempo essa data se tornar tão comercialmente importante quanto a Páscoa ou o Dia das Mães. Os publicitários e comerciantes estão apostando.

Tirando os interesses consumistas, o Dia do Amigo é bem legal. Recebi um monte de mensagens carinhosas e abraços apertados - virtuais e não-virtuais. Aos primeiros eu não pude retribuir, pois estava off-line.

Então, como os meus amigos blogueiros ou são poetas ou amam poesia, aí vai o meu presentinho: um poema de Carlos Drummond, Fernando Pessoa e Paulos Leminski, diariamente, via e-mail. Não é o máximo? É só enviar um e-mail (não precisa escrever nada) para os seguintes endereços:

drummond@insite.com.br

fpessoa@insite.com.br

leminski@insite.com.br

Detalhe: para receber os novos poemas é preciso enviar os e-mails diariamente.

Espero que seja uma novidade e que vocês desfrutem; tal qual eu desfrutei do poema de hoje do Drummond - transcrito abaixo.

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade



 Escrito por Claudia às 16h13
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Não Quero Virar Picolé


Não fui assistir ao filme "Um Dia Depois de Amanhã" e talvez nem vá, porque não gosto do gênero catástrofe. De qualquer modo, graças a ele, descobri o que é o tal Protocolo de Kyoto, que ouvia falar, não sabia do que se tratava e tinha preguiça de perguntar. Fiquei surpresa com as informações obtidas.
Resumindo, o Protocolo tenta evitar o aquecimento global do planeta e o derretimento das camadas polares - o famigerado efeito estufa.

O problema é que nem todo mundo está preocupado com isso. Os Estados Unidos (surpreso?), por exemplo, não querem assinar o tratado. Eles calculam perder até US$ 400 bilhões se forem obrigados a reduzir o ritmo da indústria e da emissão de poluentes. Detalhe:  Os EUA são responsáveis por cerca de 35% das emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono). A Rússia responde por 17% do total. Pra se ter uma idéia do isso representa, os americanos põem no ar, anualmente, 5,5 toneladas de carbono per capita. No Brasil, essa taxa é de 0,48 tonelada para cada cidadão (viu como somos melhores do que eles??). O dióxido de carbono é o vilão do efeito estufa.

Well....o babado é esse: o Bush não vai assinar porque, pra conter a emissão de poluentes, teria que segurar a economia e ele quer exatamente o contrário: crescer. Só que pra crescer, eles terão que poluir mais.Durma com essa!
O Protocolo, finalmente, propõe o seguinte : os países em desenvolvimento poderão comercializar as toneladas de CO2 não emitidas ou retiradas da atmosfera. Ou seja, as nações poluidoras comprariam créditos de carbono das que poluem menos.

Para o Brasil é uma excelente oportunidade, por abrigar imensas áreas próprias para reflorestamento capazes de reter o carbono – e portanto aptas a serem transformadas em créditos de carbono. É como se os países ricos comprassem dos pobres o direito de poluir o ar . Quem viver, verá!

Eu sempre havia imaginado que essas coisas de buraco negro, efeito estufa, colisão de asteróides e outras ameaças, fossem alucinações ou exageros dos alarmistas. Mas não é. O filme exagera, mas não dá pra segui pensando que é tudo ficção.

Por isso é muito bom irmos pensando em como ajudar na limpeza do planeta. Ou, então, providenciar um longo estágio na Groelândia - por tempo indeterminado. Brrrrrrrrrrrrr.

Fonte das informações: revista IstoÉ



 Escrito por Claudia às 17h20
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Breguice assumida

Há um tempinho atrás, escrevi um post sobre música, sobre as viagens que ela nos proporciona, sobre o bem que ela nos faz. Naquela ocasião só falei do meu gosto refinado. Mas, hoje, vou falar do meu ouvido brega. Não vou entrar na discussão sobre o o que é ou não brega,  porque na minha definição brega é tudo o que não é natural ou espontâneo e ponto. Então, devo dizer que não me achei nem um pouco brega (porque foi espontâneo) quando acordei com minha própria voz, berrando a pleno pulmões "quando você chegarrrrr tirar a roupa molhadaaaa, quero ser a toalhaaa e o seu coberto-o-o-or...". O fato poderia ter passado desapercebido, não houvesse uma testemunha  que nunca mais me deu paz.
Mas, como já atingi a maioridade e posso me dar ao luxo de assumir minhas fraquezas e mesquinharias assumo, também,  minha breguice musical. Por exemplo, quase não consigo conter as lágrimas ao ouvir Talismã, também do Leandro e Leonardo. Ainda da dupla, ADORO as Não Aprendi Dizer Adeus e Desculpe Mas Eu Vou Chorar. Além disso já fui flagrada cantando Não Olhe Assim com os olhos fechados e cara de apaixonada. E tome gozação, com as quais também me divirto.
Nunca resisti a Minha Estranha Loucura da marrom Alcione. Olha essa estrofe: .."eu acho que já paguei o preço por te amar demais/ Enquanto pra você foi tanto fez ou tanto faz/Magoando pouco a pouco me perdendo sem saber/ E quando eu for embora o que será que vai fazer/ Vai sentir falta de mim/Sentir falta de mim/ Vai tentar se esconder coração vai doer/ Sentir falta de mim. Duvido quem já não tenha desejado esse tipo de vingancinha no fim de alguma relação.
E a Rosana? Eu acho ela maravilhosa! Quase gastei o disco(de vinil) ouvindo Nem Um Toque, enquanto fazia esteira. E ela cantando Como Uma Deusa? Não era um espetáculo?
Também adoro as músicas do Fábio Júnior e jamais esquecerei do Ronnie Von cantando "..meu amor-or é cachoeiraaa", jogando o franjão pro lado num solavanco da cabeça. E a Vanusa, também de franjão, cantando Manhãs de Setembro? Impagável!
Ahhhhhhh....quase ia esquecendo do Wando. DU-VI-DO quem nunca cantou ou bateu o pezinho acompanhando o "você é luz/é raio, estrela e luar/manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô/você é meu sim e nunca meu não/quando tão louca me beija na boca e me ama no chão..."

Poderia citar mais algumas dezenas das minhas músicas-preferidas-de-gosto-duvidoso. Aliás, meu lado brega não se manifesta só na música não,  mas não vou revelar tudo de uma vez. É muita breguice para um post só e minha meia dúzia de leitores não merecem.



 Escrito por Claudia às 23h03
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Um pouco de fé, religião e pecado.

Se quiser saber a quantas anda a sua gastrite, assista ao filme "Em Nome de Deus", uma produção inglesa-irlandesa. Trata-se da história de três mulheres, que ainda adolescentes foram entregues às Irmãs Madalenas - uma instituição/congregação da igreja católica, que buscava penitenciar mulheres pecadoras. No filme, uma das protagonistas cometeu o pecado de ser estuprada pelo primo. A segunda cometeu o pecado de engravidar sem ser casada e, a terceira, cometeu o pecado de ser bonita e vaidosa. As três, abandonadas por suas famílias, foram deixadas nesse convento junto com muitas outras pecadoras do mesmo calibre.
O filme, então, mostra toda a tortura emocional-psicológica-física-sexual que essas moças sofreram sob a guarda das freiras madalenas.
Não dá pra não questionar a existência das religiões. Se por um lado supomos  que elas colocam um pouco de ordem no mundo; por outro, em nome dessa mesma suposta ordem, se comete as maiores atrocidades contra a humanidade, contra o indivíduo. Não precisa assistir ao filme. Basta lembrar da História (da antiga a atual), basta ler jornais, basta usar a memória. Quem não conhece casos e mais casos de vítimas das igrejas - oras omissas, oras autoritárias, oras arrogantes, oras perversas? E tudo se faz em nome de Deus.

O fanatismo religioso está por trás de Todas as guerras. O meu Deus é melhor e mais legítimo do que o teu e, por isso, tu precisa morrer.
Será que precisamos mesmo de intermediários para falar com Ele?
Eu defendo a fé. Qualquer uma: em Deus, em Jesus, em Buda, em Alá, em energia cósmica, em guias espirituais, em anjos, em duendes. A fé alivia o nosso desespero existencial. Porém, condeno o uso que se faz das religiões; condeno suas cartilhas, condeno seus julgamentos e nunca engoli o conceito do pecado. Aliás, não sei de a palavra hipocrisia surgiu com a primeira religião, mas certamente foi nela que encontrou cama pra deitar e rolar.
Princípios éticos e morais são fundamentais para a preservação do universo e das espécies, mas não deveriam estar sob a tutela das igrejas e de seus representantes.
O filme "Em Nome de Deus" fala de uma congregação específica, numa época específica - década de 60, mas não é nem de longe um caso isolado. O último "lar" das Irmãs Madalenas foi fechado na década de 90. O que não acabou foram os crimes religiosos e de religiosos. Nem vou me ater às questões sexuais e econômicas relacionadas à religião. Isso é outro assunto, ainda mais polêmico, e eu não quero queimar no fogo do inferno tão cedo.



 Escrito por Claudia às 18h33
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Pra Namorar

 No fim do corredor se via uma luz amarela e, de lá, uma antiga música-tema-de-amor enchia a casa, até a varanda, de sol, sustenidos e bemóis.

..."uma boca que eu sei
não porque me fala lindo
e sim beija bem..."

Da cozinha, cheiro de queijo e chocolate derretendo no fogo.

..."tua pele um bourbon
me aquece como eu quero
sweet home
gostar é atual
além de ser tão bom..."

Lá fora, nada me interessa.



 Escrito por Claudia às 13h10
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Pagando Conta

A qualquer momento, num piscar de olhos, numa fração de segundo, a nossa vida pode virar de cabeça pra baixo. Basta um acidente qualquer, a descoberta de uma doença grave, a morte de uma pessoa insubstituível, um assalto ou mesmo a perda do emprego.
Estamos sujeitos a todo tipo de tragédia e não temos como nos proteger dela.
A filosofia budista diz que pra cada alegria há uma tristeza correspondente. E eu concordo, afinal nada é permanente. Nada. E é bom lembrarmos disso sempre.
Bem...não estou querendo apavorar ninguém, mas a verdade é que a festa pode acabar agora. Um plóft, um boom, um silêncio profundo e nosso mundo rui!! E quando o pior acontece, lembramos quanta coisa deixamos de fazer, quanta vida desperdiçamos enquanto tudo estava bem. Quanto coisa importante a gente deixa pendente todos os dias. Falo de mágoas, de dores, de amores, de culpas, de ódios, de coisas mal explicadas. Esperamos, na maioria das vezes, que o tempo se encarregue de colocar tudo em seus lugares. O problema é que  podemos não ter tempo pra perdoar alguém que nos feriu, pra pedir desculpas a alguém que magoamos, pra assumir um amor, pra nos reconciliarmos com o mundo, afinal. E isso é fundamental.....coisa que percebemos justa e especialmente nos momentos em que estamos mais frágeis.
E não basta só saber, tem que se despir do orgulho, da vaidade e de outras bobagens e ir lá mostrar ao outro que se é gente.

Fácil assim? Nananinanão. É uma das coisas mais difíceis da vida, tanto que eu ainda estou nos primeiros passos.



 Escrito por Claudia às 22h46
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O Passado Passou!

Não gosto de pensar no passado. E raramente falo sobre ele. Também não o desprezo, apenas o coloco no seu devido lugar: no pas-sa-do. E ao contrário do que possa parecer, ele não foi traumático. Vivi e fiz coisas de acordo com a idade, capacidades e recursos de cada época, e sempre fiz o meu melhor. Claro, claro, que o que sou hoje é conseqüência das minhas experiências anteriores. Mas a Claudia de um, cinco ou quinze anos atrás são apenas fragmentos da Claudia das 20h e 06 min do dia primeiro de junho. As vezes, quando encontro velhos amigos e invariavelmente ficamos lembrando de nossas façanhas passadas, sinto uma certa nostalgia....mas também um certo desapontamento por não mais me identificar com a pessoa que fui.
Por outro lado, não mudaria nadinha no meu histórico, afinal, gosto muito do resultado atual. Me orgulho de ser um produto muito melhor acabado do que já fui e sei que posso muito mais.
Quando ouço alguém dizer "naquele tempo é que era bom" fico com os cabelos em pé. Bom é agora! Viver de passado só quando eu não tiver nenhum dia pela frente.

Também há pessoas que deixam pra viver no futuro: reservam toda a grana, a energia e os desejos para desfrutar na aposentadoria. A maioria sucumbe antes ou, então, os desejos e a energia não agüentam a espera e picam a mula, muito antes da data combinada.

O passado passou e sobre o futuro temos pouquíssimo ou nenhum controle.
O melhor, o mais intenso e relevante dia de nossas vidas é hoje. Hoje, não! Agora!!!
 



 Escrito por Claudia às 21h02
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Medo De Quê?


Quando eu era criança, lá por volta dos meus 08 anos,  eu morria de medo de fantasmas, de almas penadas, da professora de Língua Portuguesa, do Papai Noel e de Varíola. Sim, na primeira Feira de Ciências que assisti, vi um cartaz que estampava fotos de duas crianças com Varíola. Lembro que fiquei chocada quando vi aquilo e todas as noites eu pedia ao meu anjo da guarda para me livrar da dita cuja. Juro por Deus, que se tivessem usado aquelas fotografias pra ilustrar os malefícios do fumo, eu jamais teria colocado um cigarro na boca. Por tabela, nunca mais fiz questão de participar das Feiras de Ciências.

Na adolescência, tive mais ansiedades do que medo, propriamente dito. E todas relacionavam-se a situações do "tipo primeiro": primeira menstruação, primeiro beijo, primeira transa, primeira volta dirigindo sozinha, primeiro vestibular, primeiro acampamento. Medo mesmo, só da Tereza Rachel (lembram da novela "Que Rei Sou Eu"?).

Hoje, tenho medo de filmes de suspense e terror, de altura, de doença, de assalto, de miséria, de temporal e do Maluf. O que me faz perceber que meus medos atuais são todos subjetivos ou frutos da minha imaginação (no caso do Maluf). Medo de morrer? Vou deixar esse pra quando estiver na terceira idade!

Apesar de detestar sentir medo, nunca deixei de fazer qualquer coisa que quisesse por causa dele. Acho que ele apenas me deixa mais prudente.
Quanto ao medo-mor, o da morte.....não tenho. Não vou sofrer por antecipação, afinal tenho muito chão pela frente. Se eu estiver errada nessa previsão, sairei no lucro – porque não vou sofrer por algo inevitável. Se eu estiver certa - achando que vou viver muitos anos, deixarei o pavor para meus 90 anos. Mas até lá, espero estar em outra dimensão espiritual, a ponto de não temê-la.



 Escrito por Claudia às 18h33
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Minhas Fases


Aos 15 anos, eu imaginava que quando eu me tornasse uma velha de 40, eu já teria conquistado tudo de bom que há na vida: um casamento feliz, uma carreira sólida, muitos álbuns de fotografias de lugares os mais exóticos, dinheiro pra consertar o corpinho que o tempo avacalhou e uma bela casa de frente para o mar.
Well...passados 25 anos percebo que conquistei a coisa mais imporante e que eu sequer sabia o significado: maturidade!

Maturidade pra saber que um casamento feliz raramente é feliz pra sempre e que um relacionamento feliz, pelo muito ou pouco tempo que durar, é muito mais plausível e não menos saudado;
Maturidade pra aceitar que carreiras sólidas, atualmente, são tão sólidas quanto casamentos felizes e que isso, antes de ser referência de fracasso é um convite à renovação, ao aprendizado de diferentes ofícios, ao descobrimento de novas habilidades e  possibilidades;
Maturidade pra compreender que a quantidade de álbuns não importa, e sim as alegrias e emoções que cada sotaque, gosto e cheiro diferentes me proporcionaram;
Maturidade para conviver amigavelmente com cada ruguinha nova que aparece em meu rosto e pra saber que, se em algum dia essas mesmas ruguinhas tornarem-se estranhas e indesejáveis, posso extraí-las sem tornar-me fútil;
Maturidade pra  trocar de bom grado uma casa com vista pro mar por uma janelinha de frente pras minhas verdades e preferências.

Na verdade, aos 15 anos eu ainda não sabia  que um pouco de serenidade era tudo o que eu mais precisava!

Mas não deixei de sonhar. E ouso fazer planos pra quando completar 80.
Com essa idade fantasio já ter deixado algum legado ao mundo. Um conceito, uma idéia, um tratado.
Talvez eu não atinja essa meta...mas, como aos 40 eu já aprendi a negociar com a vida, se eu conseguir deixar uma única frase, estampada num único coração, eu já me sentirei cumpridora da minha missão e minha vida terá valido a pena.



 Escrito por Claudia às 00h26
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De Picada em Picada!!


Eu não acredito!!! De novo esse mosquito aqui, querendo picar a minha mão. O pior é que ele vai conseguir......de novo!!!
Parece a piada da loira que sempre que via uma casca de banana a sua frente, na rua, pensava: " Xiiiiiiii....lá vou eu escorregar de novo".
Pois é. Eu não disse? Ele acabou de devorar a minha mão. E eu deixei!

Então, há coisas na vida da gente que são absolutamente previsíveis. Na maioria das vezes, sabemos como e até quando determinada coisa acontecerá – as boas e as ruins. Para essas últimas, quase sempre nos fazemos de cegos, surdos e mudos. Por quê? Ou porque não acreditamos na nossa intuição, ou porque fechamos os olhos às evidências, ou porque sofremos de baixa auto-estima, ou sei lá porque. Um milhão de coisas. Podemos inumerar dezenas de razões pelas quais permitimos que um mosquito descaradamente sugue o nosso sangue.

Vampirismo dele? Absolutamente! Nosso, para conosco mesmos.



 Escrito por Claudia às 00h54
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Mãe

Ela é a dona de tudo! Ela é a rainha do lar! Ela vale mais para mim, que o céu, que a terra e o ar! Ela é a palavra mais linda, que um dia o poeta escreveu! Ela é o tesouro que o pobre, das mãos do senhor recebeu! Mamãe! Mamãe! Mamãe! Tu és a razão dos meus dias! Tu és feita de amor e... Esperança! Ai, ai, ai, mamãe! Eu te vejo chinelo na mão! O avental todo sujo de ovo! Se eu pudesse, eu queria, outra vez, mamãe! Começar tudo tudo de novo! (Mamãe – Herivelto Martins e David Nasser)


Desde a minha infância (até bem pouquinho tempo atrás) todos os Dias das Mães começavam com essa canção. Todas as 09 filhas, mais umas 12 netas, adentravam a casa de minha avó cantando e dançando essa valsa, com largos sorrisos e braços abertos pra enlaçar a matriarca daquele batalhão todo. Antes do final da música já estávamos todas abraçadas e com os olhos encharcados de lágrimas. Ríamos e chorávamos ao mesmo tempo. Os homens só chegavam mais tarde, por razões óbvias.

O porquê do choro eu nunca entendi direito, mas acho que era pela emoção de estarmos todas juntas. Algo como: "a despeito de tudo, cá estamos nós, vivas, juntas!!" Bem....há um elemento importante nisso: somos uma família descendente de italianos e isso, por si só, já justifica o dramalhão. E essa é a referência de mãe que eu tenho. Riso e choro fáceis. Do céu ao inferno em poucos segundos. Ou os dois ao mesmo tempo.

Ninguém sofre tanto e carrega tantas dores quanto uma mãe. As vezes eu me pergunto como é que elas aguentam, como não sucumbem. Falo de mães de filhos doentes, de filhos dependentes de drogas, de filhos desaparecidos, de filhos roubados em maternidades, de filhos que vão pra guerra, de filhos que fazem a guerra, de filhos mortos prematuramente. Como elas se mantêm de pé? Que força é essa? Que Ser divino é esse, que mesmo em meio a uma dor dilacerante, pela perda de um filho, ainda consegue segurar a onda pra manter o resto da família de pé?

Mãe não é aquela que faz o que pode. Mãe sempre faz o que não pode por um filho. Mãe trabalha 16 horas por dia e nas outras 08 fica de plantão. Mãe não tem fim-de-semana, nem férias e muito menos aposentadoria. Mãe é sol e lua. Dia e noite. Mãe é onipresente. Ela sempre sabe sabe quando um filho não está bem. Mesmo quando ele está do outro lado do Oceano. 
Não adianta tentar disfarçar, ela sempre sabe. Seja pelo olhar, pelo andar, pela forma de fechar a porta, pela cor da pele, pelo cheiro ou pela "energia no ar".

Mãe sempre tem um remédio pra tudo – de resfriado a desespero. Nem sempre cura, mas invariavelmente alivia.
Comida de mãe celebra a união e a paz.
Colo de mãe restaura a esperança.
Amor de mãe patrocina a vida.
E a vida sempre se refaz pelo amor de uma mãe.

Claro, dedico esse post a minha,  que é a melhor mãe do mundo!!



 Escrito por Claudia às 12h42
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A Melhor de Todas as Viagens


Ontem à noite embarquei numa viagem internacional de quase duas horas. Estive em Veneza, em Viena, em Paris, em Madri e em Lisboa. Depois, atravessei o oceano e estando um pouco cansada,  mas não menos entusiasmada, dei uma pausa em um bar animadíssimo e enfumaçado do Harlem, em NY. Quando os primeiros bocejos anunciaram o fim da viagem, já no Brasil, ainda consegui dar uma passadinha pelo Sul pra rever lugares e pessoas especiais em minha vida.

Ah, que delícia viajar!!

E o melhor: fiz esse roteiro fantástico sem gastar um só centavo e sem dar um único passo.
Não fui de avião, de trem,  de ônibus ou de navio.
De posse da minha bagagem de lembranças e sentimentos, fui de música.
É...de música. A linguagem que todos entendem – de Hong Kong ao Chuí.

A música é o melhor e mais globalizado produto que existe.
Ela é atemporal e democrática; não discrimina, não exclui, não viola. Ela está acima de tudo isso.
Música é coração e pele; amor e paixão.
É a matemática da emoção.
Música é arquitetura e decoração do nosso lar interior.
Ela não é vício e nem necessidade.
Música é o mais eficaz alimento para a alma.
É o veículo que nos leva a nós mesmos. Puros, nus, essenciais.

(Seria, a música, a linguagem que Deus escolheu pra falar conosco?)

Ontem, peguei carona com Luciano Pavarotti, José Carreras, Maria Callas, Billie Holiday, Madredeus, Kenny G e Nei Lisboa.
Hoje, talvez eu desfrute da companhia de Marvin Gaye, Bob Marley, Sade, Tom Jobim ou Andrea Bocelli.
Talvez eu vá para o México, Jamaica, Irlanda, Bruxelas, Chile ou Florianópolis.
Independente do roteiro e do veículo, já sei que a viagem será inesquecível, porque o destino final é certo: eu mesma!!

Dedico esse post à Gi, viajante nata -  sempre de primeira classe.



 Escrito por Claudia às 19h12
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A Vida é Bem Melhor do que a Novela das Oito.

Não assisto a novela das oito (e nenhuma outra) mas, por puro acaso, na segunda à noite, zapeando, dei de cara com a cena em que a boazinha Maria Clara dava uma surra na mauzinha Laura. Juro que fiquei boquiaberta, pasma.

Nesses momentos preciso me beliscar para saber se continuo nesse plano ou se já estou pagando os pecados no inferno.

Bem, pra quem não assistiu, descrevo: no banheiro de uma casa de eventos – onde Laura foi receber um prêmio por ter furtado uma idéia da Maria Clara, a boazinha, após ter derrubado a mauzinha com três bofetes, literalmente monta na mesma e desfere uma saraivada de tapas na cara. Laura, então, com o rosto desfigurado – hematomas, olhos roxos e inchados, cortes profundos, simula um atropelamento –  executado ao melhor estilo policial-pastelão-americano, pelo namorado Márcio Garcia.

Houve um tempo em que eu assistia novelas e adorava.

Hoje eu me pergunto se as novelas eram mais inteligentes ou se eu é que era muito burra. De qualquer forma, não acredito que Dancing Days e Vale Tudo, também do Gilberto Braga, não tenham sido boas.
Bem..... não quero me apegar aos aspectos técnicos.

O que mais me deixa atônita não é a baixa qualidade das cenas e do roteiro, a má interpretação dos atores ou a péssima direção.

O que me deixa triste são os valores e os conceitos propagados. Pelo que sei, a Maria Clara anda usando dos mesmos artifícios que a rival para dar o troco. Ou melhor, pra fazer justiça, uma vez que ela é a "mocinha" da estória.

Não sei se alguma novela sobrevive sem gente mau-caráter e sem vinganças mas, no que depender de mim, violência, traições, falsidades, injustiças – com ou sem glamour, não darão nenhuma audiência. Nem na ficção e nem na vida real.

E por falar em audiência, 81% dos televisores da Grande SP estavam sintonizados na novela, na segunda, dia 26.



 Escrito por Claudia às 18h20
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Música, Viagens, comidinhas, bichos, arte.


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